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terça-feira, 19 de julho de 2016

Pampulha, Patrimônio cultural da Humanidade

     


      Na última quinta-feira, o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, por unanimidade pelos 19 países membros do Comitê do Patrimônio Mundial, da Unesco. O complexo arquitetônico abrange os edifícios e jardins da Igreja de São Francisco de Assis, Casa do Baile, Iate Tênis Clube e Museu de Arte (nas fotos), construídos entre 1942 e 1943, por grandes nomes brasileiros da arte e da arquitetura, Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx, Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti e José Pedrosa. Todo o conjunto instala-se na orla da Lagoa da Pampulha, idealizada pelo então prefeito Juscelino Kubitschek para ser uma área de lazer e turismo.

                                                (Imagem: portal.iphan.gov.br)

terça-feira, 5 de julho de 2016

Lino de Albergaria

Livro do mês:

            Lino de Albergaria tornou-se conhecido na década de 80 como autor de livros infanto-juvenis, com mais de meia centena de títulos publicados na área. Mais recentemente tem-se dedicado à ficção para adultos, tendo relançado, pela Scriptum, novas edições de Em nome do filho e A estação das chuvas, além de novos títulos, Os 31 dias e Um bailarino holandês. Deste último me ocupo por ora.


            Trata-se de um romance urbano, direcionado de forma emblemática a aspectos inerentes às artes. Literatura, dança, teatro, fotografia, pintura, música, cinema e arquitetura fornecem elementos condicionantes que se misturam com harmonia na narrativa. Concentração de foco. Cenário minimalista, reduzido ao essencial. Um vendedor de livros aproxima-se de um cliente, um fotógrafo em passagem acidental pela livraria, interessado em comprar ingresso para um espetáculo de dança. Antes, revela-se um ávido e atento leitor. O resultado é um confronto sutil, na esteira de um jogo de sedução, em que olhares, gestos vão se adensando e intensificando. As referências aventadas privilegiam um refinado universo artístico, povoado de conotações que recobrem um multifacetado mosaico de citações e contextos culturais. À medida que os jogos de aproximação se sucedem, alargam-se os reflexos de um instigante caleidoscópio de ressonâncias afetivas e eróticas. Os lances da mútua descoberta justapõem-se como etapas constitutivas e especulares do processo da escrita e da leitura. O cenário exterior – espaços situados no prédio do Palácio das Artes, em Belo Horizonte – oferece substrato ao desafiante processo de conhecimento e aproximação de dois homens. No anonimato do caminho de cada um não há lugar para assomos de posse e usurpação.
A estrutura narrativa opera em blocos pendulares, em que dois narradores vão construindo um arcabouço em ziguezague, cujas sendas terminam por se entrelaçar.  Límpida e despojada, a linguagem sabe tirar proveito de imagens e tomadas sugestivas.  



ABERGARIA, Lino de. Um bailarino holandês. Belo Horizonte: Scriptum, 2015.